Programa 2020

5ª Edição – 2020

Terças-feiras às 18h, Sala 306

Colégio Almada Negreiros, NOVA-FCSH

14 de JANEIRO de 2020

Catarina Gomes (jornalista freelancer)

O que eles deixaram no manicómio

Durante 10 dos meus 19 anos como jornalista acompanhei quase em exclusivo a área da saúde. Dentro desta, a temática que mais me fascinou foi e ainda é o seu parente pobre, tanto em termos de investimento público como de cobertura mediática: a saúde mental/psiquiatria. Ao longo dos anos várias vezes fiz reportagem no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, quando este ainda funcionava. A série de quatro reportagens “O que eles deixaram no manicómio”, publicadas no jornal Público, foi o culminar deste percurso. Com estas peças, que irão dar origem a um livro, o meu objectivo principal de escrita foi a construção de histórias de vida (no âmbito do chamado Jornalismo Narrativo) tentando aproximar o leitor contemporâneo destas vidas de modo a provocar, tanto quanto possível, exercícios de empatia. O meu objectivo foi também tentar situar os doentes na sua época histórica, incluindo o momento de evolução da psiquiatria que atravessaram. Os objectos que acidentalmente estas pessoas deixaram para trás funcionaram como o fio condutor das suas vidas e como uma acidental cápsula do tempo.

18 de FEVEREIRO de 2020

Helena Gonçalves Pinto (Universidade Autónoma de Lisboa)

Ar e Serra. A Secção de Medicina da expedição científica à Serra da Estrela de 1881

A Expedição Científica à Serra da Estrela de 1881 foi um projeto inédito na História da Medicina e da Ciência, da Sociedade e da Cultura nacionais com repercussões internacionais. Em finais de Oitocentos, a Serra da Estrela mereceu uma atenção acrescida enquanto lugar singular para a Saúde, no contexto do território nacional, despertando um projeto vanguardista por parte do médico Sousa Martins e da Sociedade de Geografia de Lisboa, que pôs em execução uma Expedição com a abrangência multidisciplinar. O resultado foi a mobilização de uma sociedade científica em prol de um território e das suas comunidades. Durante 15 dias na Serra da Estrela vivenciaram-se aventuras e perigos, recolheram-se elementos, coleções e estórias sobre a relação entre a Medicina e o Ambiente, a Orografia e a Climatologia. Este foi um momento único para a fixação de conhecimento e da divulgação internacional dos recursos endógenos (muito particularmente das águas termais e do clima) da Estrela, e do início das estratégias organizadas em prol da Medicina, da Hidrologia Médica e do início da actividade de Turismo de Saúde que se desenvolveram, no século seguinte, na Serra da Estrela.

31 de MARÇO de 2020

Andreia Almeida (CEC-FLUL)

Nascer no Estado Novo: Salazar e as Políticas de Saúde Materno-Infantis

Sabendo-se que as políticas de saúde do Estado Novo de Salazar evoluíram como resposta aos períodos de grande crise do regime, esta comunicação ressalva a evolução das políticas de assistência e saúde da mulher e da criança de acordo com este sentido evolutivo. A apresentação tenta destrinçar a evolução ideológica do regime acerca do papel da mulher e do papel do Estado no âmbito da assistência à saúde da criança, questionando a existência, ou não, de uma conformidade entre a ideologia e a política assumidas pelo regime. Pretende ser mais um contributo para esclarecer as idiossincrasias do sistema sanitário português durante o Estado Novo, tema ainda pouco estudado pela historiografia portuguesa, e que merece ser conhecido.

[na sequência da Pandemia Covid19, este seminário foi feito via vídeo]

21 de ABRIL de 2020

Francisco Javier Martinez (CIDEHUS, Universidade de Évora)

Medicina e guerra química em Portugal e Espanha (1914-1936): semelhanças, diferenças, intersecções

A utilização das armas químicas de forma massiva no decurso da Primeira Guerra Mundial colocou a medicina perante o desafio de conhecer, minimizar e mesmo prevenir um tipo de danos físicos e psicológicos desconhecidos até esse momento. Neste sentido, o interesse dos médicos pela guerra química e pelos seus efeitos não se limitou só àqueles que trabalhavam nos exércitos e na sanidade civil dos países beligerantes, mas também aos de todos aqueles países que viam nos gases a guerra do futuro e, portanto, deviam-se preparar bem para os utilizar. Portugal e Espanha não ficaram à margem destes desenvolvimentos. Neste seminário tentaremos descrever e analisar as semelhanças, as diferenças e as eventuais intersecções que existiram, a propósito dos conhecimentos e das práticas relativas à guerra química, entre os médicos portugueses e espanhóis no período compreendido entre a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Civil Espanhola.