Seminários passados

Programa 1º Ciclo em 2016

 

 

17 de Maio de 2016

Margarida Portela (IHC/FCSH/UNL)

Os médicos também adoecem. Jaime Cortesão na Flandres: de médico a paciente do C.E.P.

Jpeg

No último seminário deste ciclo, foi-nos apresentada uma resenha dos serviços médicos portugueses durante a Primeira Guerra Mundial, salientando as diferenças existentes entre a situação na frente africana e europeia. Nesta última, foi igualmente reforçada a ideia de que a medicina exercida nas trincheiras tinha características intrínsecas e era, por isso, distinta da medicina praticada na retaguarda do conflito. Através da análise de fontes provenientes de diversos arquivos e da leitura de um conjunto de diários redigidos por médicos, foi traçado o quadro médico em África, realçando um conjunto de problemas que afectaram o serviço de saúde português, bem como o papel desempenhado por alguns médicos na organização dos serviços de saúde. Por último, ficamos a conhecer quem foi Jaime Cortesão, como se envolveu na Grande Guerra e ainda a sua experiência dramática como doente do C.E.P.

 

 

3 de Maio de 2016

Isabel Amaral (FCT/UNL)

A descoberta do tripanossoma africano humano – negociando conhecimentos, perícia, fronteiras e tradições científicas entre 1898 e 1904

A descoberta do tripanossama africano humano opôs diferentes tradições científicas e duas potências coloniais (Portugal e o Reino Unido). As três missões científicas organizadas por estes países abriram uma controvérsia científica que contou com diferentes actores. Assim, a comunidade médica britânica contestou a portuguesa face à origem parasitária e não bacteriana na doença do sono. Relativamente a esta controvérsia científica, foram dados a conhecer os prelúdios, os meandros e por último as conclusões. Foi ainda salientada a importância da imprensa médica, nacional e estrangeira, como fonte para a história.

 

 

19 de Abril de 2016

Philip J. Havik (IHMT/UNL)

As dimensões internacionais de saúde colonial: a negociação de políticas e conhecimento médico na África portuguesa (1945-1975)

Nesta sessão foi apresentada a nova linha de investigação que está a ser desenvolvida por Philip Havik sobre o tema da evolução da política médico-científica adoptada na África portuguesa entre 1945 e 1975, dando ênfase a noções como produção e circulação. Os dados preliminares recolhidos permitem constatar a existência de um quadro insipiente de meios e de métodos de produção do conhecimento instalados nos territórios coloniais portugueses, nomeadamente, no início do período em apreço, permitindo entrever, igualmente, uma estrutura que favorece sobretudo a recolha e a circulação de uma profusão de dados relacionados com as populações e o território. Ficámos a conhecer alguns traços dos processos de transferência de informação e de conhecimento e a sua relação com as tentativas desencadeadas para organizar os sistemas de saúde nas colónias, destacando-se nessa matéria a relação que se foi estabelecendo entre administrações e médicos. Por último, traçou-se uma breve comparação com a situação noutras colónias africanas.

 

 

5 de Abril de 2016

Denise Pereira (CIUHCT/FCT/UNL)

Visões da Psiquiatria, Doença Mental e República no Trabalho do Psiquiatra Luís Cebola (1876-1967)

Foto Denise

Quem foi Luís Cebola? A resposta dada a esta questão permitiu-nos conhecer a figura histórica nas suas diversas vertentes, a saber, do cidadão e do profissional, no seu percurso até ser nomeado director clínico da Casa de Saúde do Telhal (1911). Partindo da análise de processos clínicos, ficámos a saber as principais patologias e tratamentos prescritos pelo psiquiatra enquanto esteve ao serviço da referida instituição, bem como o tipo de relação que manteve com os seus pacientes. Através dos textos que publicou foram-nos dadas a conhecer as suas posições, muitas vezes discordantes com as dos seus colegas. Finalmente, foi-nos apresentada a vocação literária e política do cidadão, respectivamente enquanto poeta e republicano. Qual o legado deixado por Luís Cebola? Por que é que esta figura foi esquecida pelos pares, bem como pelos historiadores da disciplina? Depois de avançar possíveis respostas para estas duas questões, a oradora deu por encerrada a sua comunicação.”

A tese de doutoramento de Denise Pereira encontra-se disponível em http://run.unl.pt/handle/10362/16309

 

17 de Março de 2016

Jorge Varanda (UC)

A “Origem” do(s) HIV(s)-SIDA e a História Social da Medicina na ex-África Portuguesa

Várias hipóteses têm sido apontadas para a “origem” e a propagação do HIV. Essas hipóteses podem ser consideradas no caso de Angola e de Guiné-Bissau? A guerra terá provavelmente sido um dos factores principais, mas não o único. A investigação em curso pretende focalizar-se na “medicina colonial” como factor de propagação do HIV. Contudo, esta pesquisa propõe-se ir além da teoria e conhecer quais as práticas biomédicas para assim perceber como o HIV se terá alastrado. Qual o papel das práticas e, sobretudo, das políticas locais neste processo? Ficou exposto que a antropologia e a história da medicina podem assumir-se como parceiros fundamentais na compreensão dos fenómenos de propagação de doenças epidémicas tão marcantes para a história do século XX como o HIV.

 

 

16 de Fevereiro de 2016

Cristiana Bastos (ICS/UL)

Clínica, ciência e sociedade: Thomaz de Mello Breyner entre a consulta de sífilis do Desterro, a Sociedade de Ciências Médicas e o Paço Real

cristiana bastos

Partindo de diversas fontes originais, nomeadamente dos diários de Thomaz de Mello Breyner e de registos clínicos foi examinado o combate à sífilis em Lisboa, nomeadamente no Hospital do Desterro. Quais as origens e evolução deste hospital? Qual o papel de Thomaz de Mello Breyner na sociedade lisboeta e particularmente no Desterro? Quais os tratamentos então aplicados e a quem? A narrativa foi ilustrada por algumas notas clínicas. Ficou clara a riqueza das fontes ainda por explorar e as diversas investigações que podem daí advir.

 

 

Anúncios